segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

TIRO SAI PELA CULATRA

COPENHAGUE (Reuters) - A conferência climática da ONU em Copenhague vai gerar mais emissões de carbono do que qualquer outra conferência climática anterior, segundo dados divulgados pela Dinamarca. A "pegada" deixada pelo evento equivale à emissão anual gerada por mais de meio milhão de etíopes.
Delegados, jornalistas, ativistas e observadores de quase 200 países estão reunidos até 18 de dezembro em Copenhague, e seu deslocamento e trabalho vão gerar cerca de 46,2 mil toneladas de dióxido de carbono - a maior parte como consequência das viagens aéreas.
O carbono acumulado seria suficiente para encher 10 mil piscinas olímpicas. Ele equivale a todo o carbono produzido anualmente por 2.300 norte-americanos, ou por 660 mil etíopes - a diferença se deve à enorme disparidade de consumo entre os dois povos -, segundo estatísticas oficiais dos EUA relativas à emissão per capita em 2006.
Apesar dos esforços do governo dinamarquês para reduzir a "pegada de carbono" do evento, a cúpula deve gerar cerca de 5.700 toneladas de dióxido de carbono. Outras 40,5 mil toneladas serão criadas pelos voos dos participantes até Copenhague.
"A quantia é muito maior do que as conferências anteriores porque há muito mais gente aqui", disse a consultora Stine Balslev da Deloitte. Ela afirmou que 18 mil pessoas devem passar pelo centro da conferência por dia.
A Deloitte incluiu em seus cálculos emissões causadas pela hospedagem, transporte local, eletricidade e aquecimento do centro da conferência, papel, segurança, transporte de bens e serviços, assim como a energia usada por computadores, cozinhas, fotocopiadoras e impressoras dentro do centro de conferência.
A hotelaria representa 23 por cento das emissões da cúpula; o transporte interno gera 7 por cento. Outros 77 por cento se devem a atividades ocorridas dentro do centro de conferências, segundo os organizadores.
(Reportagem adicional de Emma Graham-Harrison)

domingo, 13 de dezembro de 2009

JUDICIÁRIO

STF aceita denúncia contra Azeredo por Valerioduto

O Supremo aceitou a denúncia do Ministério Público por 5 votos a 3.
O senador passa agora a condição de réu pelos crimes de peculato,
uso de cargo público em benefício próprio e lavagem de dinheiro.

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http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1402762-10406,00.html

POLÊMICA

Proposta americana para o clima não agrada

O governo americano pode seguir dois caminhos.
Um determinado pelo congresso, com pequena redução de metas.
O outro, com o executivo passando leis que reduziriam as
emissões em 80% até 2050.

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http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1409720-10406,00.html

CORRUPÇÃO

Brasil tem manifestações contra a corrupção

A Frente Parlamentar de Combate à Corrupção também protestou
contra a demora na aprovação de outros 13 projetos de moralização.
E o presidente Lula criou mais um, sem data para ser discutido.

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http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1409708-10406,00.html

AQUECIMENTO GLOBAL

Países pobres não aprovam proposta sobre clima

Um acordo paralelo articulado pela Dinamarca, junto com Estados Unidos e
Grã-Bretanha deixaria aos países ricos a decisão de quanto cortar nas emissões de gases.

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http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1408261-10406,00.html

AQUECIMENTO GLOBAL

Aquecimento global já tem efeitos visíveis nos EUA

Pinheiros morrem duas vezes mais rápido do que há 17 anos.
Elas sofrem com as temperaturas mais altas e
estão sob um ataque severo de besouros.

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http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1406775-10406,00.html

A MENOR POBREZA DO BRASIL

Situação privilegiada de Santa Catarina tem origem histórica, mas ainda há desafios como ampliar o saneamento básico Santa Catarina coleciona os melhores índices do país em renda, educação infantil, pobreza e acesso a bens duráveis. Em expectativa de vida, o Estado fica em segundo lugar no ranking nacional.


As informações constam da Síntese de Indicadores Sociais 2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que tem como fonte a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2008. Os dados foram compilados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

A situação privilegiada de Santa Catarina em relação a outras unidades da federação tem origem histórica, segundo especialistas. Uma explicação possível para os baixos índices de pobreza é a forma como o Estado foi colonizado, priorizando a organização dos imigrantes europeus em pequenas propriedades rurais, o que gerou distribuição de renda.

A opinião é do professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) João Rogério Sanson. Este modelo resultou em menores desigualdades sociais, maior poder de consumo por parte da população, acesso à educação e, consequentemente, alta expectativa de vida.

– O contexto histórico foi determinante – afirma Senson.

No quesito educação, Santa Catarina vive um paradoxo. Enquanto ostenta o maior percentual de crianças de zero a seis anos na escola (51,8%), junto com o Ceará, tem dificuldades para manter os jovens estudando.

O Estado tem classificação inferior à média nacional em população entre 15 e 17 anos frequentando instituições de ensino: 81%. No Brasil a taxa é de 84%.

Tal contradição revela que o poder público tem uma boa política de escolarização e de oferta de educação infantil, mas deixa a desejar quando o aluno chega ao ensino médio, avalia a pesquisadora Maria Beatriz Luce, que integra o Conselho Nacional de Educação (CNE).

– Os números desfavoráveis representam um desafio para o governo do Estado – alerta.

Aumentam riscos de contaminação

Outro índice em que o Estado vai mal, o de saneamento, acaba tendo reflexos na saúde da população, além de prejudicar o maior cartão de visitas do Estado, o Litoral. Quase 40% dos domicílios catarinenses não contam com rede de esgoto, o que equivale a 2 milhões de residências. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental em Santa Catarina, Paulo Aragão, o desempenho pífio potencializa os riscos de contaminação e aumenta os custos do tratamento de água. O quadro destoa dos demais indicadores.

– Se nós tivéssemos um saneamento melhor, estaríamos em primeiro lugar em expectativa de vida – ressalta Aragão.

Os dados do IBGE colocam Santa Catarina na terceira posição entre os estados com menor taxa de mortalidade infantil do país: 15,5 mortes por mil nascidos vivos. A secretária estadual da Saúde em exercício, Carmen Zanotto, credita tal marca, em parte, ao Programa Saúde da Família, que neste ano chegou a 100% dos municípios catarinenses.


DÉBORA CRUZ

LIMITES NA EDUCAÇÃO, EM FIM!

O Ministério da Educação vai mudar em 2011 a regra para distribuição de livros didáticos para a rede pública. O próximo ano será o último em que as escolas receberão os livros compulsoriamente. Pelo modelo atual, as instituições de ensino têm um período para escolher, com base no projeto pedagógico, quais livros serão utilizados pelos alunos. Aquelas que não participam do processo, contudo, recebem as obras mais pedidas no município.

No novo modelo, as redes de ensino municipal e estadual terão de firmar um termo de adesão para participar do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) entre 18 de janeiro e 31 de março de 2010. Caso contrário, nenhuma escola receberá os exemplares. A mudança visa a acabar com o desperdício, pois há municípios que, mesmo recebendo o material do ministério, usavam outros livros didáticos.

"NA EDUCAÇÃO, LENTIDÃO É RETROCESSO"

Na educação, lentidão é retrocesso

Dois fatos recentes provocaram, ao mesmo tempo, alegria e preocupação em quem atua pela melhoria da qualidade da educação brasileira.

A alegria foi com a promulgação da Emenda Constitucional 59, que exclui os recursos destinados à educação da incidência da DRU (Desvinculação das Receitas da União) e também tornou obrigatório o ensino para a faixa etária de 4 a 17 anos. A preocupação foi motivada pela divulgação, nesta semana, dos resultados do segundo relatório de acompanhamento das metas do movimento Todos Pela Educação.

Educação de qualidade para todos é mais que importante, é urgente, e exige investimentos. Por este motivo, a exclusão da incidência da DRU é motivo de comemoração. Cálculos oficiais estimam que a medida ampliará o orçamento do Ministério da Educação em R$ 7,9 bilhões no próximo ano e em mais R$ 11,3 bilhões em 2011.

Entretanto, além da ampliação e boa gestão dos recursos, é preciso monitorar e avaliar as políticas implementadas. Apesar dos substanciais avanços, avaliar, estabelecer metas e acompanhar o desempenho dos indicadores educacionais ainda causa certo desconforto no Brasil. Por analogia, é como se sentir incomodado com o termômetro, que indica a febre, e não com as suas causas.

Aplicando essa analogia à educação, o desconforto decorre do fato de que os resultados mostram de forma clara que, apesar dos esforços dos governantes, dos profissionais da educação e de todos da sociedade civil que atuamos nessa causa, não estamos conseguindo dar a nossas crianças e jovens a educação de qualidade a que têm direito, tanto por um princípio ético, quanto por uma garantia constitucional.

Avaliar e monitorar os indicadores são apenas referenciais para adotarmos medidas que resultem no princípio e fim de uma educação de qualidade: o aprendizado dos alunos.

Nesse sentido, a análise dos dados do segundo relatório, De Olho nas Metas, Todos Pela Educação, nos coloca em estado de atenção. Estruturadas em cinco eixos - atendimento escolar, alfabetização das crianças, aprendizagem escolar, conclusão das etapas da educação básica e volume e gestão dos investimentos públicos em educação -, as metas do Todos Pela Educação são claras, possíveis de serem realizadas e monitoradas a partir da análise sistemática dos indicadores educacionais.

Foram analisados os dados do Brasil, das cinco regiões, dos 26 estados e do Distrito Federal. No que diz respeito ao atendimento escolar de crianças e jovens de 4 a 17 anos no Brasil como um todo, embora tenhamos observado um aumento de um ponto percentual de 2007 a 2008, passando de 90,4% para 91,4%, o resultado ficou abaixo da meta intermediária de 91,9% projetada para 2008. Isso indica um ritmo lento no cumprimento da meta e, em educação, lentidão é retrocesso.

Na análise por estado, apenas a Bahia apresentou resultado superior à meta intermediária para o período. Na outra ponta, Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina ficaram abaixo das projeções. Outros 19 estados e o Distrito Federal tiveram desempenho dentro do intervalo de confiança, o que demanda maior atenção e esforços nos próximos anos.

Os dados relativos ao Ensino Fundamental indicam que o Brasil cumpriu a meta em 2008. Três estados - Acre, Mato Grosso e Paraíba - apresentaram taxas acima das respectivas projeções, enquanto Pernambuco e Santa Catarina ficaram abaixo do esperado.

No tocante ao ensino médio, merecem destaque positivo os estados do Ceará, Pará, Rondônia, São Paulo e Tocantins, que superaram as estimativas para 2008. O Brasil, com um percentual de 47,1% na taxa de conclusão aos 19 anos, também ficou acima da meta estipulada de 43,9%. Mas é preciso ficar alerta com esse dado: a distância para a meta final, de 90% de jovens concluindo o ensino médio em 2022, é bastante grande.

Conseguimos fazer a educação virar um tema de reconhecida importância no Brasil. Entretanto, sabemos que isso não é suficiente. Precisamos sair do consenso retórico e fazer com que a educação alcance de forma definitiva o estágio de questão prioritária e urgente.


Texto: acessado e adaptado em 13 de dezembro de 2009.

Disponível em: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2009/12/11/na-educacao-lentidao-retrocesso-915156815.asp

VIVIANE SENNA é psicóloga e presidente do Instituto Ayrton Senna.